segunda-feira, 17 de outubro de 2011

é SÓ você que me inspira....

Posso dizer?! Sabem a Clarice, Caio F., Oswaldo de Andrade, Drummond e todos os poetas na qual eu e milhões de pessoas se identificam? Isso, esses mesmos que tu encontra por todos os cantos do facebook, porque virou moda? Pois bem, lá se vai um noticia na qual seus fãs mais calorosos me detestarão a partir de agora: ELES NÃO ME INSPIRAM MAIS. Calma, calmaê... Posso tentar explicar e talvez algumas pessoas concordem comigo. Deixando claro, antes de tudo, que também sou fã... Há de ser necessária alguma poesia/poema quando se tem um abraço quente, ou olhos que repousam nos teus, num domingo chuvoso? Nem mesmo Clarice me pedindo para se render, eu faria, se não fosse tuas mãos a me beijar o corpo inteiro, e se boca a andar de mãos dadas comigo. Ela também quis algo inventado e eu não entendia o que isso significava até viver na prática situações surreais. Caio me desejou fé, e que reconhecêssemos o poder do outro sem esquecer do nosso, mas isso é válido quando o outro tem o poder de te desfalecer só com seu poder do seu beijo?! O poder dele sim é inevitavelmente e insuportavelmente maior e em cima do meu. E disso e de tantas outras coisas, poetas e poetisas não me inspiram mais, porque hoje eu preciso só de alguns toques, alguns olhares, e esses todos seus, pra me fazer seguir a diante, pra me fazer ser quem sou, e pra arrancar de mim sorrisos sinceros lembrando que algo pode ser bom, mesmo não lendo um livro se quer de poesia.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Medo

Diante das minhas lágrimas, tenho medo.. muito medo.. d´eu ter fechado as portas do amor pra mim! Porque ninguém mais carrega as chaves.. se eu vê-las fechadas, saberei quem fechou!
Tenho medo de machucar..
Tenho medo de não..
Tenho medo do sim..
Dói,
E sei que vai passar.
Mas dói agora, e agora, eu sou!
Tenho medo de viver em fortalezas que construi, na armadura que confeccionei
.. por medo!
Quero deixar o caminho, abandonar a procura! Deixar de ir, que apenas venha!
Quero abandonar, mas que não me abandonem! Dentro de mim, minha grandeza e pequenez andam juntas..
Que a paz venha abrandar a nossa alma, os nossos corações
E o porvir venha me confirmar aquilo que eu sempre soube, mas que agora, esqueci!
De que tudo vai dar certo, porque na verdade, já deu!


(Guilherme C. Antunes)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Hay que Buscarse un Amante

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm e as que tinham e perderam.
Geralmente são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores.


Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.


Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.


Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: “Depressão”, além da inevitável receita do antidepressivo do momento.


Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum antidepressivo. Digo-lhes que elas precisam de um AMANTE! É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.


Há as que pensam: “Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!” Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.


Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é “aquilo que nos apaixona”. É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.

O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.

Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na Literatura (linda), na música, na política, no esporte, no trabalho, no trabalho voluntário, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no viajar, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto, tudo que te possa dar prazer...


Esse é o "Seu Amante". Vá, procure-o o mais rápido possível.


Enfim, é “Alguém” ou “Algo” que nos faz “namorar” a vida e nos afasta do triste destino de “Ir Levando”.


E o que é “Ir Levando”? Ir levando é ter MEDO DE VIVER!


É o vigiar os outros e a forma como os outros vivem. Vigie a sim mesma apenas, deixe os outros. É o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado(a) cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.


Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.


Por favor, não se contente com “Ir Levando”. Procure um amante, seja também Um Amante e um Protagonista... DA SUA VIDA!
Acredite: o trágico não é morrer. Afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.


O trágico é desistir de viver; por isso, e sem mais delongas, procure um Amante...

A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo Transcendental: “PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO, SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA."

Jorge Bucay

domingo, 25 de julho de 2010