sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Primeiros-Socorros

Tem aguém escrevendo a história da minha vida. Tem que ter. Eu não posso aceitar que as coisas aconteçam assim, simplesmente por acontecer. Tem que ter uma razão de ser. Se eu tropecei e bati com o joelho na quina dessa mesa de centro, alguém desenhou ela aqui agora. Nao existia antes. Nunca teve mesa de centro na minha casa. Tenho certeza. Tem alguém digitando cada passo meu, cada arroto, cada soluço. Eu não posso aceitar que as pessoas me folheiem assim, simplesmente por acaso. Tem que ter um porquê. Ei, você, pode me responder?
Pára de traçar meu destino aí por 5 minutos e me da atenção. Olha, já que vai escrever mesmo, põe algo legal aí: um girassol na janela, um cãozinho bege ao lado da cama, um telefonema fora de hora, uma frase tardia. Aproveita e dá uma caprichada nas ruas por onde eu passo, nos cenários da minha história e nas pessoas que acenam pra mim!!! Estou cansada de tropeçar e cair!! Eu não sei dançar como pede a música!!! É sempre a mesma casca de banana, sempre o mesmo tombo, o mesmo galo na cabeça amarela!!! Olha só, caí de novo, mais uma vez e mais uma!!! Tem alguém escrevendo essa porra dessa história dessa minha vida. Tem que ter. Eu não posso aceitar que o acaso tenha te colocado bem aqui no meio da minha sala, bem assim por brincadeira, bem na frente daquela casca de banana, bem diante da minha próxima queda. Mais um tombo, mais um galo amarelo, tropeço previsto, vulnerável condição. Se tem alguém escrevendo a comédia de erros dessa minha vida, favor inserir um kit de primeiros-socorros nas ruas por onde eu passo, nos cenários da minha história e, principalmente, próximo às pessoas que acenam pra mim.