domingo, 31 de agosto de 2008

Embalo de Sábado a Noite

Tô namorando aquela mina
Mas não sei se ela me namora
Mina maneira do condomínio
Lá do bairro onde eu moro
Seu cabelo me alucina
Sua boca me devora
Sua voz me ilumina
Seu olhar me apavora
Me perdi no seu sorriso
Nem preciso me encontrar
Não me mostre o paraíso
Que se eu for, não vou voltar
Pois eu vou
Eu digo "oi" ela nem nada
Passa na minha calçada
Dou bom dia ela nem liga
Se ela chega eu páro tudo
Se ela passa eu fico doido
Se vem vindo eu faço figa
eu mando beijo ela não pega
pisco olho ela se nega
Faço pose ela não vê
Jogo charme ela ignora
Chego junto ela sai fora
Eu escrevo ela não lê
Minha mina
Minha amiga
Minha namorada
Minha gata
Minha sina
Do meu condomínio
Minha musa
Minha vida
Minha Monalisa
Minha Vênus
Minha deusa
Quero seu fascínio

(Seu Jorge - Mina do Condomínio)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A vida como ela é

Eu não consigo entender porque essas coisas, no final das contas só acontece comigo. Porque o idiota que me chama de amor, amor eu não consigo ficar afim, amor? Esse amor até que me irrita, e irrita mais ainda a maneira que ele escreve, mas cacete ele me dá atenção pelo menos, alias, ele programa viagens sem eu ficar sabendo, e faz todo o esforço do mundo para me ver sorrir. O outro lá, eu faço questão de chamar de merda, alias a minha irma faz questão de fazer isso por mim, mas ele tem aquele olhar todo bonitinho, aquela boca..nha nham... e não me venha vocês jogarem todas as pedras que vocês possuem em cima de mim, porque qual de vocês ainda não pensam na droga dos ex de vocês quando estão na merda. Existe um outro cara, que gastamais de 2 horas no telefone falando todas as graças do mundo, aquelas bem lindinhas que você fica pensando pensando e viajando acordada, afinal eu sou pisciana né, fora as trocas de emails gigantescos, mensagens, e depois resolve sumir por mais duas semanas, e diz que está cuidando da papelada para a tão esperada viagem pra Portugal, se ainda fosse me levar, iria valer de algo o sumiço. Tem o outro, alias, os outros, que não é um, dois e nem três, que namoram e um deles é até casado, mas que não me deixam em paz e me faz ficar pensativa pra caramba bichoo. Tirando ainda os outros ex e os que surgem do nada, e somem mais do nada ainda. Os pagodeiros, os forrozeiros, grrr. Detalhe nos amigos que eu faço depois de alguns beijinhos, já são 6 que se tornaram amigos, mas amigos mesmo, aqueles que hoje não rola nada mesmo, e tudo isso só acontece depois que ficamos, estranho não? Ou eu sou problematica demais para uma relação, ou muito legal, e eles acabam se tornando meus amigos. Agora o que não liga, que não procura, e muito menos demonstra, é esse que eu quero, puta que pariu viu, essas brincadeiras de falar a verdade brincando está me irritando (risos), eu dou estrelinha na sua frente, ando com melancia na cabeça, e ao mesmo tempo se faço da pessoa mais desencanada do mundo pra ver se pelo menos assim você resolve sair desse chove não molha. Será que se eu passar na sua frente pelada você me agarra?

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O amor

Quando o amor te acenar, segue-o,
ainda que por caminhos ásperos e íngremes.

E quando suas asas te envolverem,
rende-te a ele,
ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa ferir-te.

E quando ele te falar , acredita no que ele diz,
ainda que sua voz possa destroçar teus sonhos,
assim como o vento norte açoita o jardim.

Pois, se o amor te coroa, ele também te crucifica.
Se te ajuda a crescer, também te diminui.
Se te faz subir às alturas
e acaricia teus ramos mais tenros, que tremem ao sol,
também te faz descer às raízes
e abala a tua ligação com a terra.

Como os feixes de trigo, ele te mantém íntegro.
Debulha-te até que fiques nu.
Transforma-te, retirando a tua palha.
Tritura-te, até que estejas branco.
Amassa-te, até que te tornes macio;
e então te apresenta ao fogo,
para que te transformes em pão,
no banquete sagrado de Deus.

Todas essas coisas pode o amor realizar,
para que saibas dos segredos do teu coração,
e com esse conhecimento sejas um fragmento
do coração, da vida.


Khalil Gibram Khalil

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Mania de amar

Ainda quero um amor, mais um. Não um amorzinho qualquer, nem caso, nem casamento, nem paixonite. Nem precisa ser para sempre. Mas não vale amor comprado. Nem quero nada escondido, furtivo, apressado. Não me convêm as sombras, nem o outro lado da história. Um amor para amar, um amor de só viver. Feito de aconchego e tesão e distâncias que não sejam abismos, intimidade que não seja diluição, afinidade que não seja anulação. Um amor de mistérios sutis, fantasias libertas e silêncios solenes, comoventes. Ah!, precisa ser amor de espaços preservados. Não quero ser dona nem serva. Muito menos cara-metade: quero inteiro, de igual para igual, lado a lado, olho no olho. Amor de compartilhar, sem compartimentos. Só não pode invasão. Não quero clandestinidade, nem mesquinhez, não quero as sobras, quero o banquete. Quero plenitude nesse amor maduro e bem-vindo. Quero viagens, tardes chuvosas, estradas, hotéis. Quero soltura. Beijo na praça, no cinema,na sala, no beco. Público e privado. Às claras. Deve ser, um amor ósado e cheio de besteiras íntimas, me surpreendo, me pego sonhando, ainda querendo. Que mania, meu Deus! Que nem menina, que nem mocinha, que nem qualquer mulher, (duvido que todas não queiram...), ainda desejo aquelas velhas sensações risíveis: perna bamba, coração aos pulos, beatitude, frio na barriga, sexo molhado. Ah, como eu quero, um amor assanhado, descarado, louco para ser feliz e rir alto! Daqueles feitos de valsa e tango. De príncipe e de raptor. Estado de graça e cio. Verbo e carne. Amor explícito, melado. Xodó.
E por não parar de pensar no maldito bendito, eu digo rendida e inconformada, que ainda quero um amor feito de tudo e de nada, de fogo e de paz. Anacrônica e bobinha lá vou eu, sem medo de ser nem ridícula nem feliz. Não abro mão. Insisto, sigo querendo, totalmente apaixonada pela idéia de amar.

HILDA LUCAS

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Those Sweet Words

What did you say?
I know I saw you singing
But my ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
What did you say?
And of the day
The hour hand has spun
Before the night is done
I just have to hear
Those sweet words
Spoken like a melody
All your love
Is a lost balloon
Rising up through the afternoon
'Til it could fit on the head of a pin
Come on in
Did you have a hard time sleeping
'Cause a heavy moon was keeping you awake
And all I know is I'm just glad to see you again
See my love
Like a lost balloon
Rising up through the afternoon
And then you appeared
What did you say?
I know what you were singing
But my ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
And your simple melody
I just have to hear
Your sweet words
Spoken like a melody
I just wanna hear
Those sweet words

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Anúncio

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito:
precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

Clarice Lispector