sábado, 4 de outubro de 2008

Desistir

"...mas como entender que os dois, por serem feijão e arroz, se encontram só de passagem..."

Ninguém sabe como aconteceu. Surgiu do nada em sua vida. Não pediu pra entrar, nem bateu na porta, entrou de supetão. Simples assim. Lhe arrancou um beijo e se quer se importou se havia mais alguém ali, decidiu se alojar onde quer que fosse. Fez seu papel muitíssimo bem. Ela, apenas com a idéia de "vamos ver qual que é" condicionada a viver o hoje, buscar o hoje, somente o hoje. Porém ela se envolveu. Se diferente dos outros, ela tinha alguém que a surpreendia, lhe dava rosas, namorico de portão com direito a café da manhã sem datas especificas, telefonemas inusitados e mensagens com calorosas palavras. Aquilo era um amor volátil, tinha de ser. E foi. Ele se foi. Dos carinhos, cheirinhos e afagos, restou pra ele, o que se tornaria platônico. Ainda sim, ela preferia não acreditar. Insistiu, retornou algumas ligações. Mas ele, sem deixar nenhum bilhete, se foi. Foi, e levando junto, toda a certeza que ela tinha de ser algo que poderia dar certo. De vez em quando ele reaparece, e sem intenção, pertuba. Ela? Ela tenta ser forte, tenta não parecer mal, mas só com atitudes radicais é que as coisas lhe acontecem na vida. Dessa vez então, será diferente. Ela, por via das dúvidas, trancou a porta com chave e adaptou olho-mágico. Tudo por medo dele voltar a querer encontra-la em seus sonhos. Sonhos reais.