quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Eu também sei, talvez...

E você tem a cara de pau de me dizer que quer uma mulher com sentimentos verdadeiros! E eu sou o quê? Inflável? Não pense que vai me conquistar com essas gentilezazinhas! Eu tenho cérebro, tá entendendo? Eu tenho cérebro!Que homem, hoje em dia, manda flores no dia seguinte pra uma mulher de verdade? Tá pensando o quê, que sou alguma boba do século passado? Eu não quero flores murchando em porra de vazo nenhum. Cheiro de defunto na minha sala? Tô fora, amigão. E mais uma coisa: todas as mulheres modernas fazem regime. Não, não é dieta, é re-gi-me mesmo. E você me aparece com essa droga de bombom altamente calórico? Pára por um segundo e pensa no meu sofrimento, depois, numa bicicleta ergométrica. Rá! Não sou boba, não. Saquei qual é a sua.Já deviam ter te dado esses tipos de dicas. Não use essa blusa no ombro nunca mais. Caso contrário, desvie quando me encontrar na rua, por gentileza. Saiba que eu também sei abrir portas, puxar cadeiras, atravessar ruas. Percebo claramente que você é mais um desses que pensa que mulher é deficiente mental, incapaz, louca e/ou burra.Tudo isso é pra me botar dependente, carente, quase uma ignorante. Aí, quando eu estiver precisando de você mais do que tudo nessa vida, você alega estar sufocado.Ah, vá pastar.Prefiro assim: a gente marca um dia qualquer, dia útil preferencialmente, para que possamos viver nossos finais de semana individualmente, usufruímos dos corpos e fluídos um do outro e simultaneamente. Depois disso, cada um entra em seu carro e dorme em sua cama single, seguindo a vida como ela deve ser – o que nem sempre coincide com o que ela é, obviamente.Não, não preciso do seu sobrenome, profissão, estado civil. Não há necessidade pra tanto, meu bem. Sejamos práticos: nada disso faz referência ao seu corpo, que é o objeto em questão. Não preciso de carona, não há necessidade que você saiba onde moro, já que não esperarei uma visita, nem precisamos comer juntos, a não ser que seja um ao outro, mas esse item já mencionei quando falei sobre fluídos e tals.Como você pode ver, será divertido.Tenho apenas um pedido, muito simples e evidente: ao nos encontrarmos, por favor, me beije na boca e diga que me ama, só mais uma vez.Que tipo de mulher você pensa que sou? Instável, inflável? Depois de toda essa troca de afeto, atenção e carinho, você me nega uma droga de beijinho na boca?Porra, só mais uma vez!

Samantha Abreu