sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Só dor

É dor, dor doída, que vai das pontas dos pés aos fios de cabelo. Coisa ruim de sentir, de carregar, de saber que existe e que demora intermináveis 24 horas. É sempre assim. Tudo que vivo é hoje, é agora. Amanhã irei levantar bem, terá passado. Mas agora? Agora não passa. Quero ver, quero sentir, quero cheirar. Só vejo cores pretas, cinzentas e cheiro de lixo, sinto dor! Não quero carinhos imensos por ela, quero sorrisos verdadeiros por mim. Essa dor dói, nada faz com que ela suma, evapore, escorregue. Nem que eu grite, nem que desça as escadas correndo. Eu não tenho mais doze, mas choro como se tivesse. Assim do nada, eu paro e choro. Choro rios. São lágrimas, muitas lágrimas. E dá medo de me afogar nelas. E por ter medo eu acumulo mais um dos meus traumas. Mais um sentimento que não queria. Acumulo, e vou juntando, peça por peça formando um grande quebra-cabeça de sentimentos ruins. Formo grupos de coisas terrivelmente que não trazem paz. É só coisa ruim, só coisas que faz mal, e isso vai contra todos os meus propósitos. Vai de encontro com a felicidade que busco. O duelo delas me deixa exausta. Fico fraca e deito. Penso. Fico triste. Só tristeza, que junta com medo, que junta com dor. Dor. Essa dor que não para, que não cessa. Que só dói.