sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Exaustão

Ela tinha um jeito de menina barata. Falseta. Daquela que faz biquinho e acha que é sexy. Infelizmente a culpa nem era dela. Ele que não entendia bem as coisas. Na verdade, não entendia nada. Nem ele mesmo se entendia, como entender qualquer que fosse o sentimento que pudesse sentir ou carregar. Uma hora isso cansa, até pra garota desprevenida, e não tão resolvida quanto ela pensava que fosse. Ela explica, desenha, faz mímica, porém nada resolve. Ele ainda tem dúvidas, sente ciúmes como marido sente ciúme da mulher. Faz birra, fica nervoso, mas pede desculpa segundos depois. Agora ela? Ela não pode se estressar, ela tem que viver no salto. Viver na vidinha emprestada que ele acha que ela tem. Tem que estar sempre sorrindo porque ela vive assim. Tem sempre que perdoar as merdas que ele diz, e ver o ciúme dele que é quase doentio passar despercebido para que não haja mais brigas por coisas tão pequenas. Ela, pra não dizer mais nada, para não chorar, para não gastar horrores com ligações. Não correr até lá, não mandar mensagem. Taca o foda-se. Foda-se. Foda-se? E depois de toda a cena dele, de semanas de ciúmes, de ligações meio gays, de amorzinho no telefone, conversas diárias gigantescas, um foda-se incomoda desse jeito. É, a bipolaridade anda sendo mais comum do que imagina. Virou moda pessoal.