terça-feira, 31 de março de 2009

Silêncio

Disse pra mim. Nenhum pio. Não vou falar nada. Já que sou tão imprópria, inadequada, boba. Já que nunca basto e se tento me excedo. Já que não sei o que deveria ou exagero em querer saber o que não devo. Nunca entendo exatamente, nunca chego lá, nunca sou verdadeiramente aceita pela exigência propositalmente inalcançável. Meu riso incomoda. Meu choro mais ainda. Minha ajuda é pouca. Meu carinho é pena. Meu dengo é cobrança. Minha saudade é prisão. Minha preocupação chatice. Minha insegurança problema meu. Meu amor é demais. Minha agressividade insuportável. Meus elogios causam solidão. Minhas constatações boas matam o amor. As ruins matam o resto todo. Minhas críticas causam coisas terríveis. Minhas palavras cuidadas incomodam. Minhas palavras jogadas, mais ainda. Minhas opiniões sempre se alongam e cansam. Minhas histórias acabam sempre no egocentrismo ou preconceito. Meu sem fim dá logo vontade de encurtar. Minha construção, desconstrói. Meus convites quase nunca agradam. Meus pedidos sempre desagradam. Meus soquinhos de frases são jovens demais. Meu bombardeio de coisas sempre acaba em guerra. Minha paz que viria depois nunca chega, pois eu nunca chego. Minha voz doce assusta. Minha voz brincalhona é ridícula. Minha voz séria alarde. Nenhum pio. Disse pra mim. Falar do que sinto é, na hora, desintegrar com seu olhar. Então fico me perguntando sobre o que deveria dizer, se só sei o que sinto. Devo sentir por personagens de livros, filmes, jornais e ruas? É assim que se diz sem ser o que não importa de verdade? E se for o contrário? Mas pra dizer do contrário, fica sempre no ar, é melhor não dizer. Se digo algo sobre minha vida, só sei falar de mim. Se digo algo sobre a vida dele, coitada de mim, achando que sei alguma coisa da vida. Se falo sobre a vida dos outros, que papo furado é esse? Se falo sobre coisas me sinto mais uma delas. Se provoco, eu que provoque sozinha porque ele não é trouxa de cair. Sobre livros, nunca são os que interessam. Sobre minha reportagem, nem quis ler. Meu trabalho nunca foi e nunca será da mulher dos sonhos. Meus sonhos evito falar, um medo de ser menina. Quieta. É assim que será. Se digo certo, isso logo acaba. Se digo certeiro, acabou. Se digo errado, nunca acaba. Se eu for mulher, mulher é um saco. Se eu for homem, homem só existe ele. Se eu for criança, fale com sua analista. Nenhum pio. Combinei comigo. Falar da gente pode? Pode, desde que, depois, eu tenha estrutura para ver toda uma massa desistente desabando sobre meu sofá pequeno. Nadinha. Não vou falar nada. Sobre dor não toca. Sobre prazer toca pouco. Nada. Porque toda vez que eu pergunto, quase ofende. E se respondo, ofende mais. E se exclamo, minha vontade de viver soterra. E se são três pontinhos, não posso. Se começo preciso terminar. Mas quando termino, ele já não está mais. Se repito, quase explode. Se digo uma, sou boa de ser guardada em algum lugar que nunca vejo. Se não explico, pareço louca. Se explico, sou louca. Quieta. Isso! Você consegue! Se for o que eu penso, eu penso errado. Se for o que eu não penso, errei por não pensar. Se não for nada disso, eu que pensasse antes. Se estou animada, cuidado com a rasteira. Se estou desanimada, não tem mão pra levantar. Nada. Não vou sussurrar. Nem gemer. Nenhum som. Respiração muda. O silêncio absoluto. Olhando pra ele. Lembrando de quando ele me disse que é no silêncio que se sabe a verdade. E a verdade chega como um teto gigante que desaba numa cabecinha de vento. O que eu mais temia. O que eu não queria descobrir. Ela me diz. E o pior é que eu nem posso falar por ela. É tudo mentira.

Tati Bernardi

sexta-feira, 27 de março de 2009

Viagens diárias me levam a pensar demais. Não, eu não quero pensar. É inevitável. Qualquer situação, qualquer leitura, qualquer música, qualquer coisa, ou qualquer nada me faz lembrar o que realmente não merecia ser lembrado. Mas lembro. É tanto lembro dentro de uma mesma frase que isso acaba sendo repetitivo pra cacete. Minha vida esta cansada. Cansada de mim. Meu espírito está doente. Só meu cérebro que não descansa e também não me deixa descansar. Predisposição para a preguiça que era meu forte. Ai saudade. Saudade de estar. Saudades de ser. Ser um ser não pensante. A única coisa forte que agora possuo é a não dominação sobre minhas vontades. Sim, estou imune. Imune de mim. Só não estou de meus pensamentos. Malditos, eu diria.

terça-feira, 24 de março de 2009


sexta-feira, 20 de março de 2009

Don't Watch me dancing

Margarida has a strange appeal
Sways between suitors on a broken heel
Of course her desires they always mistook
She'd rather've been scarred than be scarred with loathe
In conversation she often contends
Costumes build customs that involve dead ends
She found her courage in a change of scene
This Sunday's social would be short its queen
All her best years spent distracted
By these tired reenactments
With the right step she'll try her chances
Somewhere else
There he is a step outside her view
Reciting the words he hoped she might pursue
Night upon night a faithful light at shore
If he'd only convince his legs across the floor
Please, don't watch me dancing
Oh no, don't watch me dancing
Something changes when she glances
Enough to teach you what romance is
With the right step they try their chances
Somewhere else
Please, don't watch me dancing
Don't watch me dancing

segunda-feira, 16 de março de 2009

PORQUE NÃO EU?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Não te amo mais...

O mais engraçado, é que apesar de tudo gosto de você. Das mancadas dadas. Da meia furada. Do gosto do seu gosto. Seu suor junto do meu, e da distância que tínhamos às vezes. Da mentira mal contada, da verdade escondida. Inúmeras cartas lotadas de clichês. Teu riso que fazia desistir.
Teu choro que fazia chorar. Da falta da sua falta. Da falta de não sentir falta. Da falta de falas. Da sobra delas também. Do que foi me dado. Do que também não foi. Do eu que era seu. Do seu que não era meu. O desgaste. O encaixe. O estrago. O intragável. O absoluto. O esquecimento. Por fim, a saudade. O gostar. O descuido. O tempo. A falta de certeza. A insegurança. A paixão. A dedicação. A raiva. A atenção. Por fim, o ódio. Foi disso e de tantas outras, que ainda por falta ou sobras delas, gosto de você.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Extremo

Anos-luz que não apareço.

Deve ser porque quando estamos felizes, não temos o que escrever.

Na verdade, não sei escrever sobre a felicidade. Ela fica aqui, estampada, viva e crescente a cada dia.

Mas escrever? IMPOSSÍVEL.

domingo, 1 de março de 2009

SEICHO-NO-IE

Quem se levanta após uma queda progride mais do que alguém que nunca sofreu uma.
Qum decaiu e foi capaz de se reerguer é mais nótavel do que alguém que chegou aonde se encontra sem sofrer nenhuma queda. o valor da pessoa não está em "nunca sofrer queda", mas em conseguir se reerguer após a queda, aprender coma experiência e se aprimorar mais. Na verdade, sofrer eventuais quedas faz parte do progresso.

Do livro Eichi no Danpen - Masaharu Taniguchi