quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Homenagem - CHICO SCIENCE


Bom, pra quem gosta de Chico Science, fica a dica da ocupação que estará em cartaz até Abril.

A mesma contará com shows, filmes exposições e etc contando a vida do pernambucano.

O local? Fica no Itaú Cultural entre os dias 04 de fevereiro a 04 de abril.

Pra conferir a programação completa, acesse:

http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/01/em-fevereiro-a-ocupacao-do-itau-cultural-e-para-chico-science/

Pra quem curtiu o trabalho dele, acho interessante conhecer.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Feira da escassez

Dezesseis e trinta e dois da tarde de terça-feira. Bairro da alta classe de Hipocrisópolis. O senhor PhD em Desfassontologia da PUN (Pontifícia Universidade Neoniilista) chega ao mercadinho mais badalado da redondeza:


- Boa tarde, Pouco Importa.

- Ótima, seu PhD. Como vai a família?

- Já foi!

- Claro, claro. E o que quer hoje?

- Vou levar seis kg de misericórdia e três dúzias de piedade.

- Ah, isso não vou ter, não. Aliás, ninguém: está fora de fabricação faz tempo.

- Então, me dê aí uns duzentos gramas de bom senso e quatro pedaços de serenidade fresquinhos.

- Ih, era pra chegar ontem, mas o carregamento tombou lá na rodovia 666 que liga Santa Iracividade à Velha Imponderância.

- Ora bolas, pelo menos tem por aí algum diálogo que preste ou uma e outra boa vontade? Se não tem, então, o que será de mim... hahaha.

- Nem isso. Serve esse papo furado velho? Espera um pouco... Ah, tem essa passeatinha de domingo. Mas já tá meio sem gosto, pra falar a verdade.

- Pelo que vejo, Pouco Importa, a indignação já acabou também.

- Virgem Maria. Isso aí, seu P, quando chega, puft, vai na mesma hora. Pior : ninguém se lembra dela depois.

- Tá precisando melhorar o estoque, meu velho.

- Qual o que, patrão? Quase tudo que o senhor quer não tem saída. Meu estoque está abastecido.

- Será? Deixa ver então... hum, trás uma lata de credibilidade daquelas ali.

- Mas rapaz, era só o que me faltava. O senhor sabe muito bem que isso só com receita do Ministério da Manipulação. E tem que renovar sempre: a validade vence “rapidez”.

- Vou acabar definhando desse jeito, Pouquinho.

- É, né? Sei, sei... Leve alguma coisa instantânea, então: memória curta, falácia mole, vingança ineficaz, superficialidade afogadiça, oportunismo desenfreado...

- Hum, é bem tentador, viu. Mas hoje acordei igual a uma grávida: vontade de comer coisas extravagantes. Procura, nem que seja lá nos fundos, uma igualdade de oportunidade escondidinha. Mesmo que esteja sendo preparada agora. Eu espero.

-Hahahahaha, nessa o senhor caprichou: nem a mãe do Doutor Tudo Pode teve esse tipo de desejo. Daqui a pouco vai me pedir um saco de justiça para todos, ou, pior ainda, alguma distribuição das riquezas. Ahahaha. Ninguém, nunca, achou essas mercadorias. Quem tiver pra vender fica rico... ou morre.

- Mas que situação insuportável. Pelo que eu posso ver, da prateleira você já tirou até aqueles deliciosos idealismos e acalentadoras atitudes de conscientização, e colocou no lugar esses comodismos frios e desânimos bem coniventes.

- Pra falar a verdade, seu PhD, o senhor foi o primeiro a notar isso. E olhe que faz tempo que eu mudei tudo.

- Basta. Já que o que eu quero não tem saída, então vou pedir algo que todo mundo quer: dê cá cinco soluções paliativas e um conselho furado.

- Ah, finalmente. Sabia que daqui do meu estabelecimento o senhor não ia sair de mãos vazias. Pega as soluções: fazer um rico seguro de vida, blindar o carro, erguer o muro do condomínio, contratar um pequeno exército de seguranças truculentos e sedentos de sangue (daqueles que nem o “fanfarrão” famoso: psicopata e mal-feitor, tirando onda de justiceiro) e só andar pelas ruas da Europa.
O conselho: tape bem os ouvidos quando a bomba estourar.

- Ufa, agora sim. Me sinto como qualquer um nessa cegueira geral. Então, dane-se, seu Pouco Importa.

- Danemo-nos todos, seu PHD.

Autor: Galldino

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Convidando uma mulher para jantar...

Quando um homem chama uma mulher para sair, não sabe o grau de stress que isso desencadeia em nossas vidas. O que venho contar aqui hoje é mais dedicado aos homens do que às mulheres. Acho importante que eles saibam o que se passa nos bastidores.
Você, mulher, está flertando um Zé Ruela qualquer. Com sorte, ele acaba te chamando para sair. Vamos supor um jantar:Ele diz como se fosse a coisa mais simples do mundo: 'Vamos jantar amanhã?'Você sorri e responde como se fosse a coisa mais simples do mundo: 'Claro, vamos sim'.Começou o inferno na Terra. Foi dada a largada. Você começa a se reprogramar mentalmente e pensar em tudo que tem que fazer para estar apresentável até lá. Cancela todos os seus compromissos canceláveis e começa a odisséia.

Evidentemente, você também para de comer, afinal quer estar em forma no dia do jantar e mulher sempre se acha gorda. Daqui pra frente você começa a fazer a dieta do queijo: fica sem comer nada o dia inteiro e quando sente que vai desmaiar come uma fatia de queijo. Muito saudável.
Primeira coisa: fazer mãos e pés. Quem se importa se é inverno e você provavelmente ira usar uma bota de cano alto? Mãos e pés têm que estar feitos - e lá se vai uma hora do seu dia. Vocês (homens) devem estar se perguntando 'Mão tudo bem, mas porque pé se ela vai de botas?' Lei de Murphy. Sempre dá merda.

Uma vez pensei assim e o infeliz me levou a um restaurante japonês daqueles em que temos que tirar o sapato para sentar naqueles tatames. Tomei no cú bonito! Tive que tirar o sapato com aquela sola do pé cracuda, esmalte semi-descascado e cutícula do tamanho de um champignon! Vai que ele te coloque em alguma outra situação impossível de prever que te obrigue a tirar o sapato? Para nossa paz de espírito, melhor fazer mãos e pés, até porque boa parte desta raça tem uma tara bizarra por pés femininos.
OBS: Isso me irrita. Passo horas na academia malhando minha bunda e o desgraçado vai reparar justamente onde? Na porra do pé! Isso é coisa de... Melhor mudar de assunto...As mais caprichosas, além de fazer mãos e pés, ainda fazem algum tratamento capilar no salão: hidratação, escova, corte tintura, retoque de raiz, etc... Eu não faço, mas conheço quem faça.Ah sim, já ia esquecendo. Tem a depilação. Essa os homens não podem nem contestar. Quem quer sair com uma mulher não depilada, mesmo que seja apenas para um inocente jantar? Lá vai você depilar pernas, axila, virilha, sobrancelha etc, etc. Tem mulher que depila até a bunda! Mulher sofre! E lá se vai mais uma hora do seu dia. E uma hora bem dolorida, diga-se de passagem.Dia seguinte: É hoje seu grande dia. Quando vou sair com alguém, faço questão da dar uma passada na academia no dia, para malhar desumanamente até quase cuspir o pulmão.

Não, não é para emagrecer, é para deixar minha bunda e minhas pernas enormes e durinhas (elas ficam inchadas depois de malhar).Geralmente, o Zé Ruela não comunica aonde vai levar a gente. Surge aquele dilema da roupa. Com certeza você vai errar, resta escolher se quer errar para mais ou para menos. Se te serve de consolo, ele não vai perceber.Alias, ele não vai perceber nada. Você pode aparecer de Armani ou enrolada em um saco de batatas, tanto faz. Eles não reparam em detalhe nenhum, mas sabem dizer quando estamos bonitas (só não sabem o porquê). Mas, é como dizia Angie Dickinson: 'Eu me visto para as mulheres e me dispo para os homens'. Não tem como, a gente se arruma, mesmo que eles não reparem.Escolhida a roupa, com a resignação que você vai errar, para mais ou para menos, vem a etapa do banho. Depois do banho e do cabelo, vem a maquiagem. Nessa etapa eu perco muito tempo. Lá vai a babaca separar cílio por cílio com palito de dente depois de passar rímel.Depois vem a hora de se vestir. Homens não entendem, mas tem dias que a gente acorda gorda. É sério, no dia anterior o corpo estava lindo e no dia seguinte... LEITOA! Não sei o que é (provavelmente nossa imaginação), mas eu juro que acontece. Muitas vezes você compra uma roupa para um evento, na loja fica linda e na hora de sair fica uma merda. Se for um desses dias em que seu corpo está uma merda e o espelho está de sacanagem com a sua cara, é provável que você acabe com uma pilha de roupas recusadas em cima da cama, chorando, gritando - com um armário cheio de roupas: 'EU NÃO TENHO ROOOOOUUUUUPAAAA'. O chato é ter que refazer a maquiagem.

E quando você inventa de colocar aquela calça apertada e tem que deitar na cama e pedir para outro ser humano enfiar ela em você? Uma gracinha, já vai para o jantar lacrada a vácuo. Se espirrar a calça perfura o pâncreas.
Ok, você achou uma roupa que ficou boa. Vem o dilema da lingerie. Salvo raras exceções, roupa feminina (incluindo lingerie) ou é bonita ou é confortável.Você olha para aquela sua calcinha de algodão do tamanho de uma lona de circo. Ela é confortável. E cor de pele. Praticamente um método anticoncepcional. Você pensa 'Eu não vou dar para ele hoje mesmo, que se foooda'. Você veste a calcinha. Aí bate a culpa. Eu sinto culpa se ando com roupa confortável. Meu inconsciente já associou estar bem vestida com sofrimento. Aí você começa a pensar 'E se mesmo sem dar para ele, ele acabe vendo a minha calcinha... Vai que no restaurante tem uma escada e eu tenho que subir na frente dele... Se ele olhar para essa calcinha, broxará para todo o sempre comigo'. Muito P... da vida, você tira a sua calcinha amiga e coloca uma daquelas porras mínimas e rendadas, que com certeza vão ficar entrando na sua bunda a noite toda. Melhor prevenir.

Os sapatos: (Vale o mesmo que eu disse sobre roupas) ou é bonito ou é confortável.
Geralmente, quando tenho um encontro importante, opto por uma peça de roupa bem bonita e desconfortável, e o resto menos bonito, mas confortável. FATO: Lei de Murphy impera. Com certeza me vai ser exigido esforço da parte comprometida pelo desconforto. Exemplo: Vou com roupa confortável e sapato assassino. Certeza que no meio da noite o animal vai soltar um 'Sei que você adora dançar, vamos sair para dançar! Eu tento fazer parecer que as lágrimas são de emoção.
Uma vez, um sapato me machucou tanto, mas tanto, que fiz um bilhete para mim mesma e colei no sapato, para lembrar de nunca mais usá-lo! Porque eu não dei o sapato? Porra... me custou muito caro. Posso não usá-lo, mas quero tê-lo. Eu sei, eu sei, materialista do caralho.

Na próxima encarnação, voltarei como besouro de esterco e comer muito coco para ver se evoluo espiritualmente! Mas por hora, o sapato fica.Depois que você está toda montada, lutando mentalmente com seus dilemas do tipo 'Será que dou para ele? É o terceiro encontro, talvez eu deva dar...' Começa a bater a ansiedade. Cada mulher lida de um jeito.Tenho um faniquito e começo a dizer que não quero mais ir. Não para ele! Ligo para a infeliz da minha melhor amiga e digo que não quero ir, que sair para conhecer pessoas é muito estressante, que se um dia eu tiver um AVC é culpa dessa tensão toda que eu passei na vida toda, em todos os primeiros encontros, e que quero voltar tartaruga na próxima encarnação. Ela, coitada, escuta pacientemente e tenta me acalmar.Agora imaginem vocês, se depois de tudo isso, o filho da p... liga e cancela o encontro? 'Surgiu um imprevisto, podemos deixar para semana que vem?'.Gente, não é má vontade ou intransigência, mas eu acho inadmissível uma coisa dessas, ao menos que seja algo muito grave! Eu fico P..., P..., PU... da vida!Claro, na cabecinha deles não custa nada mesmo, eles acham que é simples, que a gente levantou da cama e foi direto pro carro deles. Se eles soubessem o trabalho que dá, o stress, o tempo perdido... nunca ousariam remarcar nada.Vem me buscar de maca e no soro, mas não desmarque comigo! Até porque, a essas alturas, a dieta radical do queijo está quase te fazendo desmaiar de fome e é questão de vida ou morte a porra do jantar!

NÃO CANCELEM ENCONTROS A MENOS QUE TENHA ACONTECIDO ALGO MUITO, MUITO, GRAVE! DO TIPO: MORRER A MÃE OU O PAI OU TER UM AVC NO TRÂNSITO.

Supondo que ele venha: Ele liga e diz que está chegando. Você passa perfume, escova os dentes e vai. Quando entra no carro já toma um eufemismo na lata 'HUMMM... tá cheirosa!' (tecla SAP: 'Passou muito perfume, porra'). Ele nem sequer olha para a sua roupa. Ele não repara em nada, ele acha que você é assim ao natural. Eu não ligo, porque acho que homem que repara muito é meio VIADO, mas isso frustra algumas mulheres. E se ele for tirar a sua roupa, grandes chances dele tirar a calça junto com a calcinha e nem ver. Pois é Minha Amiga, você passou a noite toda com a rendinha atochada no rego (que por sinal custou muito caro) para nada. Homens, vocês sabiam que uma boa calcinha, de marca, pode custar o mesmo que um MP3? Favor tirar sem rasgar.Quando é comigo, passo tanto stress, que chego no jantar com um pouco de raiva do cidadão. No meio da noite, já não sinto mais meus dedos dos pés, devido ao princípio de gangrena em função do sapato de bico fino. Quando ele conta piadas e ri eu penso 'É, eu também estaria de bom humor, contando piadas, se não fosse essa calcinha intra-uterina raspando no colo do meu útero'. A culpa não é deles, é minha, por ser surtada com a estética. Sinto o estômago fagocitando meu fígado, mas apenas belisco a comida de leve. Fico constrangida de mostrar toda a minha potência estomacal assim de primeira.Para finalizar, quero ressaltar que eu falei aqui do desgaste emocional e da disponibilidade de tempo que um encontro nos provoca. Nem sequer entrei no mérito do DINHEIRO. Pois é, tudo isso custa caro. Vou fazer uma estimativa POR BAIXO, muito por baixo, porque geralmente pagamos bem mais do que isso e fazemos mais tratamentos estéticos:

Roupa.............................. R$ 200,00
ingerie.............................. R$ 80,00
Maquiagem..................... R$ 50,00
Sapato.............................. R$ 150,00
Depilação......................... R$ 50,00
Mão e pé.......................... R$ 15,00
Perfume........................... R$ 80,00
Pílula anticoncepcional....R$ 20,00

Ou seja, CHUTANDO BEM BAIXO, gastamos, pagando barato, R$ 500,00 para sair com um Zé Ruela. Entendem porque eu bato o pé e digo que homem TEM QUE PAGAR O MOTEL? A gente gasta muito mais para sair com eles do que eles com a gente! Por isso AMIGOS, valorizem seu próximo encontro e aprendam um pouco mais, sobre este ser fantástico, chamado mulher.

[Autor Desconhecido]