quarta-feira, 17 de março de 2010

Parece meu...


"Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. (...) Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar.... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou."
(M. de Queiroz)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Coração

“Hoje, acordei sentindo uma grande dor no peito”;

Sentei-me ao pé da cama, coloquei minha mão sobre meu peito, e perguntei ao meu coração:

- O que você tem?

Porque está tão inquieto dentro de mim?

Você está doente?

Fiquei uns minutos em silêncio e aí foi minha almaa começar a ficar inquieta...

Perguntei a ela...

- O que tens?

Porque se atormenta dentro de mim?

Minha alma disse:

- Estou assim porque você está assim;

Você me faz perguntas, mas não tenho as respostase sei que isso o faz infeliz...

Você se sente tão pequeno, e isso me faz pequeno também...

Você queria ser diferentee eu fico triste por você...

Você está tão só, e eu me sinto sem você...

Mais uma vez tornei a ficar em silêncio...

E foi aí que meu coraçãomeio confuso me respondeu:

- Estou tão triste...

Sinto-me tão pequeno...

Estou magoado com você!


Fiquei sem jeito e perguntei:


- O que foi que eu te fiz?


Ele respondeu:

Você sofre tanto com as pessoas;preocupa-se com elas, é atencioso,procura ser prestativo ena maioria das vezes, sempre se decepciona...

Você ama e depois sofree fala que a culpa é minha...

Você espera por algo que não veme fica triste...

Aí você chora e dói em mim...

Preciso de curativos para um coração partido...

Curativos bons.


Perguntei ao meu coração:


- Como assim, bons?
Ele respondeu:


Curativos que estanquemessa sua tristeza, essa sua mágoa,essa sua solidão...

Que estejam com você nos dias friose nas noites vazias,nos dias de tempestadee nas horas que você se sentir tão só...

Que eles sejam tão grandesque possam envolver seu corpoem um abraço cheio de ternurae que você se sinta seguro e amparado...

Preciso de bons curativos,que não sejam eternos,afinal nada é para sempre,mas, que não sejam descartáveis...


Curativos que absorvamesse sofrimento, essa dor...

Essa ferida que não se vê,apenas se sente...


Que sejam fortes, e a prova d’água,para que não se estraguem com suas lágrimas,que sejam macios, para poder te fazer carinhonos dias em que você se sentir carente...

Curativos que, acima de tudo nunca o decepcionem, prometendo coisas que não cumpram...


Curativos companheiros e sinceros, que se importem realmente com você...

Não quero pena, quero amor...

Amor de verdade.

Preciso que você também se ame e prometa que vai procurar cuidar mais de mim, sou parte de você e se você sofreeu sofro também...


Queria poder colocar você dentro de mim, secar suas lágrimas, ninar você...

Dizer-te que tudo vai passar e te proteger das decepções da sua vida, afinal você já sofreu tanto que não sei como ainda consigo bater forteem seu peito!!!


Você é especial...

Autor desconhecido

quinta-feira, 4 de março de 2010

Muito

O que ela quer é falar de amor. Fazer cafuné, comprar presente, reservar hotel pra viagem, olhar estrela sem ter o que dizer. Quer tomar vinho e olhar nos olhos. Ela quer poder soprar o que mora dentro, o que não cabe, que voa inocente e suicida. Ela quer o que não tem nome. Quer rir sem saber de quê, passar horas sem notar, quer o silêncio e a falação. Ela quer bobagem. Quer o que não serve pra nada. Quer o desejo, que é menos comportado que a vontade. Ela quer o imprevisto, a surpresa, o coração disparado, o medo de ser bom. Quer música, barulho de e-mail na caixa, telefone tocando. Ela tem muito e quer mais. Quer sempre. Quer se cobrir de eternidade, quer o oxigênio do risco pra ficar sempre menina. Ela quer tremer as pernas, beijo no ponto de ônibus e a milésima primeira vez. Quer cor e som, lembrança de ontem, sorriso no canto da boca. Ela quer dar bandeira. Quer a alegria besta de quem não tem juízo. O que ela quer é tão simples. Só que ela não é desse mundo.

Cris Guerra