terça-feira, 25 de maio de 2010

Marla de Queiroz

Entre pernas, passos e tropeços a gente vai deixando algumas coisas pelo caminho e encontrando outras... O que não pode é se subtrair. O processo tem que ser de acréscimo, sempre. Nada é tão definitivo assim e a gente nunca É, a gente ESTÁ...
Sempre digo que quem se aprofunda nas coisas, quem mergulha, sabe exatamente o gosto que tem o alimento cru porque não se contenta com o que está pronto, posto sobre a mesa. A gente vai experimentando aqui e acolá, vai sentindo o ritmo, o tempo, tendo cuidado com algumas coisas e desrespeitando as placas de aviso de perigo de outras. A gente cai, levanta, chora, celebra. A gente vive. A gente se conhece através das reações dos outros a nós mesmos. A gente se trabalha ou estagna, regride ou evolui. A escolha é sempre nossa. Tal como as consequências. A gente resolve se entregar quando é tarde pra descobrir que pra respeitar o nosso próprio tempo, é preciso lembrar e ter o mesmo respeito pelo tempo do outro. E que muitas vezes, pra ser honesto, é preciso se correr um risco o qual não queremos. Mas a gente corre. A gente aprende que...

A vida real, muitas vezes, nos é apresentada pulsante, em carne viva, sem maquiagem. Com as veias todas à mostra. O que pode ser desagradável de se ver ou emocionante como um parto...

O que posso dizer é que existem na vida pessoas sedutoras e seduzíveis por quem nos apaixonaremos "definitivamente" todos os dias................. e que amaremos "para sempre" hoje!
Sei que os grandes relacionamentos que tive foram os que me renderam as melhores metáforas. Que me despertaram uma vontade constante de ser uma pessoa cada vez melhor e mais inteira. Que me deram colo e não conselho e beijo na boca quando o silêncio ainda era a melhor resposta. Algumas dessas pessoas se foram antes que eu pudesse lhes contar uma história bonita e eu chorei feito menina. Outras ficaram até descobrir que uma caixa de Kiwis era o melhor presente que eu poderia ganhar no meio de uma tarde triste... Outras, ainda, me cobraram respostas demais e eu só sabia que nunca aprendi a andar de perna de pau porque tenho medo de altura (o que por um lado pode ser também resposta para várias outras coisas). Mas todas essas pessoas me desenvolveram e isso ficou comigo; são minhas porque faziam parte do meu potencial amoroso e elas vieram só pra me conduzir ao melhoramento do meu amor. Hoje o meu grau de exigência aumentou muito porque aprendi que dar amor não é a mesma coisa que dar carência. Por isso fico sozinha pelo tempo que for necessário para ter novamente essa sensação de "encontro". Abandonei um monte de certezas, recuso sem pudor algumas regras e desrespeito várias vezes as placas de aviso de perigo. Me divirto muito ou sofro, mas tenho cada vez mais faisquinhas nos olhos por viver as coisas em sua totalidade, sem recusar experiências e aproveitando diversas possibilidades.

Agora, tem um lado muito romântico meu que diz que a "tal pessoa" virá e enroscará uma margaridinha nos meus cabelos cacheados, fazendo pousar no meu rosto o sorriso de um beija-flor... ;-) e plagiará Neruda sussurrando ao pé do ouvido: "Quero fazer com você, o que a Primavera fez com as cerejeiras..."

É isso. Pule no tal abismo quando seu coração bater tão forte que só te restará pular. Vc só vai saber se fez a coisa certa, fazendo-a. Só se pode falar do que se conhece e não há como conhecer pela superfície, é preciso tocar verdadeiramente nas coisas e então, se deixar ser tocado por elas. O importante é lembrar que a escolha é sempre nossa e que no momento em que tudo nos foge ao controle é porque chegamos na parte mais importante do aprendizado.

Que o medo não tenha tanto poder sobre nós... E que não fiquemos condicionados por experiências anteriores -- há sempre uma oportunidade de surpresa, mas teremos que estar abertos a isso. Nada é tão definitivo.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Interstícios

Engraçado é que se eu realmente lesse tudo o que eu escrevo minha vida seria mais leve, feliz. Se eu seguisse meus conselhos... ah, se eu seguisse os meus conselhos, não trocaria tanto os pés pelas mãos, não me envolveria em situações que não são aquelas que quero pra mim.

Teoricamente a gente sabe de tanta coisa né... Tudo faz sentido do ponto de vista racional, mas é que... na vida a gente sente as coisas diferente mesmo. Tenta racionalizar e não consegue. Tenta objetivar (ou objetificar), mas se sente apenas vazia.

Tenho que assumir sou viciada em seriados. Assisti ontem o episódio da semana de Gossip Girl, aquela mesma série sobre a qual postei aqui outro dia. Lá pelas tantas a Blair, em diálogo com o Chuck, diz a ele

Acabei de perceber que superar você não é ficar com qualquer um ou fingir que não aconteceu. Nós nos amamos. E você partiu meu coração... (...) Eu vou beijar alguém algum dia e, quando eu fizer, será por mim.


Que quando eu fizer, seja por mim.

*

Acho que o universo seria muito mais interessante se a gente fantasiasse menos e vivesse mais as histórias possíveis que as da fantasia da gente. Mas eu sempre quis o extraordinário... e, sim, eu não consigo pensar que ele nasce da pressa e da exasperação de quem quer viver tudo acelerado e agora. Coisa de velha... some of it's trancedental, some of it's just really dumb. But i love when you read to me, and you can read me anything...

Elenita Rodrigues!
http://acasosafortunados.blogspot.com/